Friday, March 11, 2011

Saturday, June 04, 2005

H I P O C R Í S E .

É muito difícil controlar o ser humano se ele sabe que está sendo controlado, as ditaduras caem em grande parte por esse motivo, seu sistema de manipulação é por demais flagrante e sempre há o levante dos românticos enfurecidos com o furto de sua suposta liberdade. Porém uma ditadura é essencial para um regime democrático de sucesso pois mostra a todos que a liberdade não passa de um produto, uma mercadoria onde o parecer é ainda mais importante que o ter,e o ser não existe.

Cria-se a tão sonhada democracia a pedido do povo e dentro dela não nos damos conta que temos menos liberdade que na malfalada ditadura, porque o controle da própria sociedade se torna inexorável; a ironia é que quanto pior a ditadura é retratada mais despótica é a sociedade democrática e seus governantes; assim se cria a sociedade de controle:

(a democracia é a ditadura da maioria)

Permite-se o controle para que se possa ter liberdade, a tentativa isolada de corromper o controle ameaça a liberdade ilusória do resto da sociedade, é imediatamente suprimida deixando clara a importância do controle..assim a sociedade entra em um estado de estagnação, também chamada de paz.

Esse sistema se fecha em uma concha que fica cada vez mais inviolável a medida que, de geração em geração, se perde a percepção de que pode-se divergir do sistema. Sem contestação o sistema tem liberdade para se especializar, refinar seus métodos para tornar o meio cada vez mais pacifico para sua instauração absoluta.

Sunday, April 24, 2005

HEMATOPOÉTICO.

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DESCULPE O SILÊNCIO.
(e o silêncio passou).

Tuesday, April 19, 2005

Generais - parte ll

Resolvi tentar uma manobra arriscada, peguei meus parcos argumentos e, sem ser notado entrei dentro das linhas inimigas. O inimigo não notou o que estava acontecendo, deve ter pensado que eu estava fugindo pois eu começava a concordar com ele em alguns pontos. Quando ele pensava que já tinha me dominado ele abaixou a guarda; nesse momento eu soube, É AGORA!

_Concordo com vc professor,mas isso não é pós-modernidade como periodizaçao hisrórica, eu diria que se trata de postmodernité.

Isso!! Atacar a base, usar a força do inimigo contra ele mesmo.

Ele apenas deu um sorriso, um sorriso de cumplicidade que dizia que ele reconhecia que a sua frente havia um adversário de valor.
Eu tinha vencido, por muito pouco ....mas sabia que ele poderia continuar lutando; ele poderia mas não o fez pois os velhos generais sabem quando devem retirar suas tropas. Lia nos seus olhos que ele queria se preparar para uma outra batalha, em um outro dia... e então ele disse:

_ Vou indo garoto, tenho aula, mas quero continuar essa conversa.

Era uma guerra declarada, que talvez nunca tivesse fim. Muitos dos meus argumentos pereceram, porém capturei vários dos dele, eles lutariam por mim agora; meu exercito se tornaria mais forte e estaria pronto para uma nova batalha.

O que falamos? ....Nao importa, nao era sobre isso que falavamos.

Monday, April 11, 2005

Generais - parte I

Eu caminhava pela faculdade uma tarde qualquer e sem perceber havia me fantasiado: chinelo, bermuda, camisa velha, cabelo desarrumado e um livro do Marx embaixo do braço....ou seja, o mais puro clichê do estudante socialista, encontrei meu professor que ao ver o livro sobre meu braçome perguntou o que eu achava de Marx, assim começamos a conversar ..... percebi tão logo que não se tratava de uma conversa, era uma guerra.

Me sentia preparado porém sabia que o adversário era valoroso, já ouvi falara de suas vitórias então comecei na defensiva.

Tentei relativisar, invadir pelos flancos, faze-lo vacilar na escolha do ponto de vista a atacar, dividir a artilharia para diminuir a pressão do centro, porém ele já era um velho de guerra e não esitou em atacar o argumento mais fraco com todas as forças,o outro argumento se perdeu, o atacado caiu rapidamente.

Quando me dei conta que o primeiro ataque não deu certo tentei uma tática moral ,esperei o primeiro ponto fraco que surgisse para avançar; de repente.....um erro de sintaxe.... logo em cima bombardeei com uma ironia; foi um galpe baixo, mas estávamos em uma guerra e eu estava desesperado. Senti que o inimigo, cambaleou e aproveitei para usar minhas deduções lógicas; uma seqüência delas, a artilharia era rápida, ele não conseguia re-agrupar para reagir, percebi que eu estava o encurralando mas ele não deixaria se vencer tão facilmente; foi quando ele lançou mão de sua arma secreta....(eu deveria estar preparado, deveria ter pensado nisso antes) uma citação..... malditos generais velhos, sabem truques que nos jovens não tivemos tempo de aprender.

Não tive como reagir; naquele momento percebi que precisava recuar... tentei voltar a minha posição anterior porém ele resistia ele não ia largar seu posto tão facilmente depois de eu ter recuado...maldito orgulhoso, não adiantava ficarmos atirando um no outro sem um objetivo claro.

Ele sabia que não podíamos continuar assim ...então ele avançou com metáforas. Droga como eu poderia lutar contra metáforas?! Apesar de nem sempre exemplificar com fidelidade certa situação elas eram lógicas e eu não podia discutir contra isso. Rapidamente fui perdendo posições e quando percebi já estava cercado.

Estava com muitas baixas, meus argumentos eram poucos, precisava fazer algo rápido.





continua.......


Sunday, April 03, 2005

Blog é Seicho-no-ie?

Um blog é um dos grandes exemplos de produção de energia inerte criada pelo homem para satisfazer uma das suas varias necessidades ilegais (tópico que falarei mais pra frente):
A auto promoção pra si mesmo, afinal um blog é feito muito mais pra o autor falar do que para seu interlocutor ouvir. Quantos blogs espalhados por ai (inclusive o meu; ironia poética) não foram visitados por quase ninguém?
(agora começa a típica seqüência de perguntas)
se é pra escrever pra si, não é mais seguro escrever no papel?
O blog se apóia na esperança de que vc é uma pessoa interessante que as pessoas deviam ouvir?
Na esperança de que suas idéias podem fazer diferença para alguém que ler?
Na possibilidade de ficar famoso por suas idéias?
Ou simplesmente na necessidade de se enxergar em uma nova perspectiva, a de produtor de conteúdo tangível.
No final é só auto promoção, não intervém no mundo lá fora muito mais do que se falássemos tudo isso para um espelho. Daqui lanço o paralelo........



Se todos os dias eu acordasse, parasse em frente ao espelho, abrisse um sorriso e dissesse:
Cara .... como vc é inteligente, engraçado, criativo bla bla bla ...
Talvez eu me contentasse em guardar minhas criações filosóficas pra mim.


Não trocariamos mais informações, a sociedade iria entrar em colapso, tudo o que conhecemos e amamos seria destruído NÃÃÃÃÃOOOO..........ALGUÉM ACABE COM O SEICHO-NO-IE...... ops .....acho que estou fugindo do assunto... .ademais .....(a muito tempo queria usar essa palavra) a expansão dos meios de informação permitiram que as pessoas assumissem papeis que antigamente não poderiam, tornar a vida das pessoas mais cheias de fabulas só faz com que nos tornemos seres menos sérios e mais completos. (final chato)



ps: nenhum praticante de seicho-no-ie foi ferido nas escreveçoes. É uma filosofia muito mais complexa e interessante.

Tuesday, March 29, 2005

A derrocada da ironia inteligente com a ascensão do movimento dos dedos em ce.

Em uma sociedade pós-industrial, a superinformação cria um estado de constante complexificação dos meios de comunicação social; dentro deste contexto a ironia fina avança como expressão cômica de informalidade por conter uma intrincada gama de mensagens que ficam subentendidas na sentença. Ao se criar uma frase que possa ter um sentido diametralmente oposto ao do que a frase diz literalmente, produze-se quase que um código que só pode ser decifrado por pessoas que tenha as mesmas bases de conhecimento, ou seja, um código entre pessoas do mesmo estrato social.
A ironia vinha sendo difundida e utilizada cada vez com mais propriedade pelas diversas áreas da comunicação (propaganda, telejornais, conversas de bar etc) até que em certo momento da história a industria cultural inventou um gesto que pode pôr por terra tudo o que se conquistou nos últimos anos.
No momento que alguém curvou os dedos em formato de “ce” e girou a mão em seu próprio eixo querendo dizer “sentiu a ironia” esta pessoa acabou por matar o principal sentido a ironia, ele automaticamente desvendou o código e escancarou o significado que estava por trás de sua frase; rapidamente este gesto se infiltrou no inconsciente coletivo e rizomaticamente se tornou um gesto corriqueiro, mas o pior ainda estava por vir.
Quando a ironia perdeu sua profundidade, já que não se tratava mais de um código, ela começou a ser usada de modo indiscriminado, afinal, não era mais necessário pensar muito para criar-la nem para decifrar-la. Com o aval do gesto começou a entrar na moda a ironia barata, fácil e sem conteúdo, então aquele gesto que começou como identificador de uma ironia que talvez não fosse entendida começou a identificar ironias tão medíocres que talvez nem poderiam ser chamadas de ironia, e é esse processo de embrutecimento da dialética popular que cria duvidas de quanto um fato simples como esse pode frear a evolução humana. Ao final da historia fica a tristeza diante da constatação que o mundo deu mais um passo atrás, e a esperança de que a ironia fina se manterá viva, enquanto houver textos como este sendo escritos.