A derrocada da ironia inteligente com a ascensão do movimento dos dedos em ce.
Em uma sociedade pós-industrial, a superinformação cria um estado de constante complexificação dos meios de comunicação social; dentro deste contexto a ironia fina avança como expressão cômica de informalidade por conter uma intrincada gama de mensagens que ficam subentendidas na sentença. Ao se criar uma frase que possa ter um sentido diametralmente oposto ao do que a frase diz literalmente, produze-se quase que um código que só pode ser decifrado por pessoas que tenha as mesmas bases de conhecimento, ou seja, um código entre pessoas do mesmo estrato social.
A ironia vinha sendo difundida e utilizada cada vez com mais propriedade pelas diversas áreas da comunicação (propaganda, telejornais, conversas de bar etc) até que em certo momento da história a industria cultural inventou um gesto que pode pôr por terra tudo o que se conquistou nos últimos anos.
No momento que alguém curvou os dedos em formato de “ce” e girou a mão em seu próprio eixo querendo dizer “sentiu a ironia” esta pessoa acabou por matar o principal sentido a ironia, ele automaticamente desvendou o código e escancarou o significado que estava por trás de sua frase; rapidamente este gesto se infiltrou no inconsciente coletivo e rizomaticamente se tornou um gesto corriqueiro, mas o pior ainda estava por vir.
Quando a ironia perdeu sua profundidade, já que não se tratava mais de um código, ela começou a ser usada de modo indiscriminado, afinal, não era mais necessário pensar muito para criar-la nem para decifrar-la. Com o aval do gesto começou a entrar na moda a ironia barata, fácil e sem conteúdo, então aquele gesto que começou como identificador de uma ironia que talvez não fosse entendida começou a identificar ironias tão medíocres que talvez nem poderiam ser chamadas de ironia, e é esse processo de embrutecimento da dialética popular que cria duvidas de quanto um fato simples como esse pode frear a evolução humana. Ao final da historia fica a tristeza diante da constatação que o mundo deu mais um passo atrás, e a esperança de que a ironia fina se manterá viva, enquanto houver textos como este sendo escritos.
A ironia vinha sendo difundida e utilizada cada vez com mais propriedade pelas diversas áreas da comunicação (propaganda, telejornais, conversas de bar etc) até que em certo momento da história a industria cultural inventou um gesto que pode pôr por terra tudo o que se conquistou nos últimos anos.
No momento que alguém curvou os dedos em formato de “ce” e girou a mão em seu próprio eixo querendo dizer “sentiu a ironia” esta pessoa acabou por matar o principal sentido a ironia, ele automaticamente desvendou o código e escancarou o significado que estava por trás de sua frase; rapidamente este gesto se infiltrou no inconsciente coletivo e rizomaticamente se tornou um gesto corriqueiro, mas o pior ainda estava por vir.
Quando a ironia perdeu sua profundidade, já que não se tratava mais de um código, ela começou a ser usada de modo indiscriminado, afinal, não era mais necessário pensar muito para criar-la nem para decifrar-la. Com o aval do gesto começou a entrar na moda a ironia barata, fácil e sem conteúdo, então aquele gesto que começou como identificador de uma ironia que talvez não fosse entendida começou a identificar ironias tão medíocres que talvez nem poderiam ser chamadas de ironia, e é esse processo de embrutecimento da dialética popular que cria duvidas de quanto um fato simples como esse pode frear a evolução humana. Ao final da historia fica a tristeza diante da constatação que o mundo deu mais um passo atrás, e a esperança de que a ironia fina se manterá viva, enquanto houver textos como este sendo escritos.

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