Tuesday, March 29, 2005

A derrocada da ironia inteligente com a ascensão do movimento dos dedos em ce.

Em uma sociedade pós-industrial, a superinformação cria um estado de constante complexificação dos meios de comunicação social; dentro deste contexto a ironia fina avança como expressão cômica de informalidade por conter uma intrincada gama de mensagens que ficam subentendidas na sentença. Ao se criar uma frase que possa ter um sentido diametralmente oposto ao do que a frase diz literalmente, produze-se quase que um código que só pode ser decifrado por pessoas que tenha as mesmas bases de conhecimento, ou seja, um código entre pessoas do mesmo estrato social.
A ironia vinha sendo difundida e utilizada cada vez com mais propriedade pelas diversas áreas da comunicação (propaganda, telejornais, conversas de bar etc) até que em certo momento da história a industria cultural inventou um gesto que pode pôr por terra tudo o que se conquistou nos últimos anos.
No momento que alguém curvou os dedos em formato de “ce” e girou a mão em seu próprio eixo querendo dizer “sentiu a ironia” esta pessoa acabou por matar o principal sentido a ironia, ele automaticamente desvendou o código e escancarou o significado que estava por trás de sua frase; rapidamente este gesto se infiltrou no inconsciente coletivo e rizomaticamente se tornou um gesto corriqueiro, mas o pior ainda estava por vir.
Quando a ironia perdeu sua profundidade, já que não se tratava mais de um código, ela começou a ser usada de modo indiscriminado, afinal, não era mais necessário pensar muito para criar-la nem para decifrar-la. Com o aval do gesto começou a entrar na moda a ironia barata, fácil e sem conteúdo, então aquele gesto que começou como identificador de uma ironia que talvez não fosse entendida começou a identificar ironias tão medíocres que talvez nem poderiam ser chamadas de ironia, e é esse processo de embrutecimento da dialética popular que cria duvidas de quanto um fato simples como esse pode frear a evolução humana. Ao final da historia fica a tristeza diante da constatação que o mundo deu mais um passo atrás, e a esperança de que a ironia fina se manterá viva, enquanto houver textos como este sendo escritos.

Friday, March 18, 2005

O Começo - Episodio Um

Certo dia resolvi .... vou aprender a escrever...mas como?????
Nunca escrevi ou sequer respondi as cartas para meus queridos amigos e amigas, sempre tive preguiça de escrever redações, trabalhos, resenhas etc etc....porra , nem respondi o email que minha mãe me mandou!!!(ela aprendeu a ligar o computador entrar na internet e escrever no teclado; apenas para se comunicar com seu filho). Então como, por deus!!, poderei eu aprender a escrever.
Sabia que era uma habilidade que mudaria minha vida, e sentia no fundo do meu coração que tinha um talento inato para isso(assim como para malabaris, origami, rpg, etc) e só precisava de uma desculpa para libertar meus dedos dos grilhões da preguiça, para permitir que meus pensamentos tomassem forma e voassem para fora da penumbra dessa mente nebulosa e superativa. Permitir a pessoa que vos tecla possa ver um pouco mais de si além desse reflexo tosco que sibila através de espasmos de seu inconciente.
Eis que a resposta gospe na minha cara pra me chamar a atençao, ela estava ali ... com aquela cara de namorada que ficou esperando na porta do bar (?) :




UM BLOG




Aqui começa a odisséia de um cara aprendendo a escrever. Quando eu for rico e famoso poderei mosrar minha tragetoria para meus filhos, para que eles se tornem pessoas de sucesso como o pai.